Thursday, September 03, 2009

O naturismo

Há alguns anos atrás tive algumas experiências com a prática do naturismo, as quais gostaria de relatar aqui, tecendo algumas reflexões a respeito.

Em 2002 conheci a Praia do Pinho, em Camboriú, Santa Catarina. Antes disso, eu havia somente caminhado por alguns quilômetros, praia adentro, sem roupa alguma, em Trancoso, no sul da Bahia, um ano antes. Depois da experiência em Trancoso, decidi que no ano seguinte eu iria à mais tradicional e antiga praia de naturismo do Brasil: a Praia do Pinho.

A preparação para este tipo de passeio e, desafio, costuma ser cercada de mitos, fantasias, ansiedade e curiosidade. Muita coisa geralmente ocorre nos arredores de nosso corpo quando ele está nu na presença de outras pessoas. Principalmente se forem várias outras pessoas. A nudez pública é um tabu. Nossos genitais são áreas sagradas, muito bem delimitadas e separadas do resto de nosso corpo quando o assunto é privacidade. Áreas totalmente privadas, completamente fechadas ao público. Impublicáveis, por definição. O que, por sua vez, não impede a prática de torná-las públicas. Sim, existe a publicidade da nudez. Esta, contudo, está restrita a espaços também muito bem delimitados.

Resumindo: genitais não desfilam por aí, sua aparição não está banalizada. Um genital aparecendo é sempre motivo de constrangimento e sinal de que algo muito sagrado socialmente foi violado. E o sujeito exposto é aquele que fica também exposto socialmente: exposto a hostilidades e sanções. Ficar nu é ficar desprotegido. E isso, em público, somente a urgência extrema ou o amor é que podem contornar.

Primeira coisa a fazer era planejar a viagem. Avaliar todas as possibilidades. Saber se de fato teríamos coragem de expor nossos frágeis corpos ao olhar público. Comecei então a freqüentar na internet os sites referentes à prática do naturismo. Uma das coisas que mais me tranqüilizavam era ler o código de ética da Federação Brasileira de Naturismo. Não me darei ao trabalho de recortar o que minha memória pensa que leu por lá. Prefiro ficar com o auto-engano, se for o caso. Mas posso dizer que o tom todo do que eu lia nesse código me trazia muita segurança. Percebi que o esforço todo dos naturistas é o da promoção da aceitação de nossos corpos, com todas as suas possíveis “imperfeições” (entre aspas justamente pelo caráter valorativo do termo).

Boa parte do empenho dos naturistas é o de, justamente, naturalizar a nudez em público. Torná-la o mais espontânea e natural possível. E isso tudo feito também com a proposta de um código moral até bastante severo para com possíveis manifestações de hostilidade (velada ou não) e não-aceitação dos corpos nus dos outros. Há uma promoção constante de comportamentos que visem o não reparar nos corpos dos outros e não comentar pretensos “defeitos”. É uma escola constante de auto e hetero aceitação daquilo que é fonte de muitos bloqueios e traumas, de muito sentimento de inferioridade, os quais acabam apartando muitas pessoas de importantes convívios sociais e afetivos. E estes últimos, sabemos, costumam constituir boa parte de nosso bem-estar psicológico, de nossa saúde.

Conforme fui lendo a respeito do que era o naturismo, mais adquiria confiança para poder cometer a “loucura” de ser exposto, de se deixar mostrar, em toda a vulnerabilidade. Mas é, mesmo assim, sempre interessante relatar as sensações das primeiras experiências. Não sei se esta recomendação ainda permanece, mas àquela época o incentivo era o do naturismo em família tradicional. Ou seja: casais, com ou sem filhos. Homens desacompanhados não eram permitidos. Fui com minha companheira da época. Ficaríamos cinco dias em uma pousada, dentro da praia. Cinco dias sem ver roupa.

Chegamos à recepção, pegamos as chaves e, ainda vestidos, subimos para o quarto. No caminho, claro, cruzamos com algumas pessoas nuas. Entramos no quarto e guardamos nossas malas. O próximo passo era um pouco mais difícil. Queríamos respeitar as regras do local e pensamos: agora não podemos mais descer vestidos. Era isso o que parecia, pois no caminho havíamos cruzado somente com pessoas nuas. Não queríamos desrespeitá-las. Então nos despimos totalmente, respiramos fundo, abrimos a porta e descemos.

Nunca saltei de paraquedas, mas a sensação era a de bastante falta de algo, de onde se segurar, de referências, de anteparos que nos separássemos do mundo. A primeira sensação foi a de “queda livre”. “Orbitei” – sim, pois toda queda livre é, de certo modo, uma forma de entrar em órbita. O restaurante estava a uns 70 metros. Fomos caminhando, devagar, sentindo o vento e a presença das pessoas em nossas entranhas. O mundo me invadia pela pele, totalmente exposta. Menos separação entre eu e mundo. Menos barreiras de contato, logo maior o risco e inevitável a emoção do momento. Nesta pequena caminhada, cruzando com várias outras pessoas nuas, desfrutei, senti prazer. Era uma pequena aventura da qual me sentia capaz sem entrar em desespero. Mas eu me sentia também muito branco, sem cor impressa na pele, apesar de não ser o caso. Era um neófito do naturismo, saindo de sua casca do ovo. Um filhote totalmente frágil desta prática.

A chegada ao restaurante, contudo, foi meio frustrante e constrangedora. Um garçon alto, com cara de canastrão, e totalmente vestido, veio nos atender. Não sabíamos onde enfiar nossos branquelos órgãos genitais. Sentamos, e assim pudemos nos proteger melhor. Logo veio nossa refeição. Comemos, bebemos e observamos o que podíamos em volta: as pessoas no bar (a maioria totalmente nua) e a praia, pela janela, já em final de tarde. O clima era agradável, a sensação era de paz. A praia estava muito bonita com o sol já pedindo para se por ali por volta das cinco horas da tarde.

Descemos à praia e ali tudo já correu muito naturalmente. Estávamos totalmente nus, abraçados pela beleza do mar, do vento e da tranqüilidade das outras pessoas que também estavam nuas. Minha sensação era a de que eu havia chegado ao cume de uma montanha mágica. Aquilo era outro mundo, habitado por outros seres. A escalada havia valido a pena. Muita paz reinava em torno da minha nudez. Todos nus na companhia uns dos outros, e sem medo de ser hostilizado ou diminuído, faz parecer mesmo que estamos em outro mundo. É uma espécie de estado alterado de consciência, já que o mundo parece ter sido virado de cabeça pra baixo ou posto pelo avesso. A nudez é o avesso da indumentária.

Os corpos, em sua maioria, eram repletos de normalidade, ou seja, de “imperfeições”, de desenhos, texturas, cores, volumes e proporções, os quais não cumpriam os ideais de beleza propagados pelos meios de comunicação de massa e a moda. A minha sensação era a de que tantos corpos e genitálias nus produziam um mar vivo de peles aos olhos. Tudo muito mais vivo, vulnerável, animal. O corpo humano nu: retrato da fragilidade. A história de nossa espécie está inevitavelmente ligada às roupas. Elas surgem junto com a humanidade. Não possuem somente a função de resguardo moral. Também protegem fisicamente. Os órgãos sexuais humanos são muito expostos e frágeis. Roupas funcionam como proteção.

E se as roupas surgem juntamente com a humanidade, penso que o mais natural não é ficar nu. Pelo contrário, o mais natural é ficar vestido. Não há nada mais artificial do que ficar pelado, do que reunir pessoas para ficarem juntas e nuas. Porém, o que é ou não natural, é o que menos importa diante dos benefícios pessoais que tive ao fazer naturismo. Gostei e muito. E o que mais gostei foi de como me senti tranqüilo com meu corpo, com a minha nudez e das outros. Dividir fragilidades e imperfeições, aceitá-las, em si e nos outros, é uma experiência terapêutica, de libertação, de cultivo de auto-estima. Há muito respeito em campos naturistas, por si e pelos outros. A nudez humana é fragilizante. Isso naturalmente impõe o respeito.

Os corpos são diferentes, mas a minha impressão é de que, nus, esta diferença fica menos ressaltada. Veja por exemplo o caso dos biquinis. Seu corte, de modo geral, ressalta os glúteos. A totalidade corporal se perde no assombro dessa faixa pequena, dessa parte, sobre a qual impera uma guerra sem fim. Segundo as leis da Psicologia da Gestalt, podemos dizer que a visão de corpos nus impõe uma outra percepção, a de uma totalidade do seguimento da pele, a qual ultrapassa a moldura de biquinis, maiôs e calções de banho. Estes últimos impõem uma óptica do detalhe filtrado culturalmente. O nudismo, por sua vez, impõe a óptica da totalidade e da expressão surpreendente e animalesca das genitálias. Sim, sua exposição bota por terra os padrões que antes eram tão cultuados. Um glúteo perfeito pode deixar de ter expressão ou sentido diante da exposição abrupta de uma vulva ou mamilos e seios inesperados.

E os naturistas, obviamente, também têm seus tabus. A maioria jamais reconhecerá que a excitação sexual existe e desempenha papel relevante em sua prática. Lembro de algumas conversas que tive com alguns deles. Muitos diziam que praticavam o naturismo em função da sensação de liberdade (geralmente liberdade física) de estar mais leve sem roupas, pois elas não seriam naturais, já que “ninguém nasceu vestido”e, portanto, não seriam saudáveis. Alguns chegavam inclusive a argumentar, por exemplo, que roupas prendiam a circulação sanguínea.

Eu não deixava de perguntar: “O fato de estar sem roupa em meio a tantas pessoas sem roupa não lhe desperta qualquer tipo de excitação sexual? Ver pessoas sem roupa, e muitas, possuidoras de atrativos sexuais, também não é prazeroso?”. A maioria das respostas era negativa. Gostavam de ressaltar que este componente praticamente inexistia. Salientavam a liberdade e o prazer de sentir a água do mar, o sol e o vento no corpo todo. Não tenho dúvidas, isso também pode ser muito prazeroso. Mas aí me surgia uma outra pergunta: “Então por que não fazer isso somente em meio a pessoas íntimas ou em uma praia deserta, por exemplo? Se você fosse cego, viria aqui expor-se nu em meio a estranhos? Não há prazer em ver e mostrar os genitais publicamente? E este prazer, o qual vocês relatam, não possui qualquer componente sexual?”. Alguns sofisticavam sua argumentação, outros nem disso eram capazes. Os primeiros iam além: “Há uma sensação muito grande de liberdade, de natureza, e por que não dividir isso com outras pessoas, mesmo desconhecidas, que se sentem da mesma forma?”.

E aí reside uma concepção muito comum ao senso comum: a de que a natureza é sempre boa, suave e saudável. Havia algumas pessoas que portavam uma pulseira, promocional da praia, na qual era bem legível: 100% natural. Mas se fosse tudo natural, não haveria problema algum com ereções explícitas, masturbações, ou seja, qualquer ato sexual ostensivo e público, além das atividades fisiológicas que devem ser feitas junto ao vaso sanitário. O ideal romântico de recuperar nosso estado de natureza perdido, se levado à sério, implica em significativas dificuldades sociais. Mas isso é como o senso comum se expressa: de modo geralmente confuso e equivocado. Assim acaba se falando muita coisa contraditória e, no final das contas, sem sentido; ou somente com o sentido que serve a determinados interesses, os quais menos prezam pela verdade do que pela preservação de seus domínios de ação e poder.

Mas quero encerrar este artigo, ressaltando o que percebi de saudável na prática naturista. Uma prática em que, dentro dos limites os quais pude vivenciar, as pessoas são amiúde levadas a exercitar o respeito, a delicadeza, a tolerância com diferenças corporais, podendo aceitar e acolher uma dimensão tão repleta de traumas: a da nossa imagem corporal. Esta que, muitas vezes, gera diversas representações importantes para nossa própria auto-imagem. Finalizo, deixando bem claro que o naturismo foi uma experiência da qual não me esqueço e que me fez muito bem. Recomendo a todos que tenham curiosidade ou desejo de praticá-lo.

Friday, July 10, 2009

“Perdoa, mas não esquece”?

O senso comum muito se abastece da ideia de que o perdão é valioso e deve sempre ser concedido. Há talvez aí, em nossa cultura, uma influência muito grande dos ensinamentos cristãos. O estímulo ao perdão, independentemente do que tenha ocorrido, é amplamente pregado. E a primeira pergunta é: o que é perdoar, o que isso significa?
Porque há perdões e perdões. O perdão de marido e mulher é com certeza diferente de se perdoar ou “perdoar” (entre aspas) o assassino de um filho, por exemplo. No caso de infidelidade, no casamento, o perdão geralmente significa a reconciliação, o restabelecimento das condições anteriores. Perdoar, nesse caso, é voltar a ser o que era. Amigos, por exemplo, se perdoam, de fato, quando voltam a ser amigos e a exibir a mesma empolgação e vigor da amizade, anteriores ao desentendimento.
Na verdade, a grande questão é que o perdão geralmente não é verdadeiro. As pessoas acabam dizendo que perdoaram mais para satisfazer essa pressão social cristã pelo perdão. Perdoar, de verdade, é permitir que tudo volte a ser o que era, como antes. E isso somente é possível se houver compensações. Exemplo: o sujeito perdeu o livro que lhe foi emprestado e tem seu perdão se comprar outro livro igual, repondo-o, compensando seu erro. Porque tudo nessa vida tem seu preço, inclusive amizade e amor. E amor se paga, muitas vezes, com dedicação e fidelidade. E ele rende o quê? Bem estar, proteção, prazer, alegria, sensação de que nossa vida tem sentido.
Outra coisa que se ouve muito, também: “A gente perdoa, mas não esquece”. E isso é perdão completo, perdão de fato? O perdão não pressupõe o esquecimento? Para perdoar não é necessário esquecer? Por outro lado, é possível compreender o que as pessoas estão querendo dizer com isso: “perdoei, voltei com ele (ainda estão juntos, casados, quer dizer), mas não esqueci, ainda tenho mágoas”. Ou seja, restabeleceu o relacionamento anterior, porém ainda carrega mágoas, o ressentimento sobrevive.
E aí mora geralmente um problema frequente: a pessoa diz que perdoou, mas ainda, como se diz popularmente, “joga na cara”, ou então restabeleceu o relacionamento anterior porque não tinha outras alternativas. Vive uma relação de dependência e abuso com quem ama. Vive a ambivalência de modo muito intenso. Diz que perdoou, mas vive indireta ou inconscientemente agredindo o sujeito “perdoado”. E assim, a pergunta: de que vale dizer, da boca pra fora, que perdoou, para depois restabelecer um relacionamento baseado numa série de confusões e mal entendidos? De que vale bancar o redentor para depois viver o inferno? O inferno de simplesmente não saber o que está fazendo e simplesmente se ver como vítima de seus próprios rancores mal resolvidos? Assim se torna crônica uma relação onde o ódio e as mágoas são sempre mascarados com um série de comportamentos que os tornam ainda mais difíceis de serem resolvidos. Em termos psicanalíticos, diríamos que formações reativas e projeções passam a tomar conta do jogo.
Perdoar ou não perdoar? Eis a questão. Se não for de verdade, perdão completo, se for somente um ato baixado por decreto para apaziguar a moral cristã, não vale a pena. Desse modo ficam abertas as portas para muita coisa mal resolvida, para agressões indiretas, por exemplo, as quais se escondem em atos inconscientes e vão, pouco a pouco, minando com o que restou do amor. E um bom indício de que se perdoou de verdade é o sentimento de compensação. Se nos sentimos compensados, seja lá por que motivo, é possível perdoar. Do contrário, estaremos navegando na mentira.

Sunday, June 07, 2009

Religião e delírio

Algumas publicações recentes, como o livroDeus: um delírio”, de Richard Dawkins, reacenderam o debate sobre o papel e a natureza das religiões. A palavra delírio, veja bem, está no título da obra de Dawkins.

Freud, por sua vez, em sua obra “O mal-estar na civilização”, de 1930 enuncia que a religião é um delírio de massas. Ou seja, tentando deixar ainda mais claro o que ele disse, dá para concluir o seguinte: Loucura que se enlouquece sozinho é somente loucura. Loucura que se enlouquece junto é... religião.

É também muito curiosa a passagem em que perguntam a Bertrand Russell, bem velhinho, sobre o que diria se, após sua morte, desse de cara com São Pedro ou qualquer coisa que simbolizasse a existência de Deus ou da alma eterna. Ele responde que diria assim: “Vocês não nos deram provas suficientes!”.

O tolo não sabe o que diz e o sábio não diz o que sabe?

De fato, a primeira parte do provérbio, sobre o tolo, tem muito sentido. Ser tolo, em boa medida, é dizer ou pensar coisas que não possuem correspondentes na realidade. Ou seja, o tolo simplesmente não sabe o que as coisas são. Logo, em resumo, não sabe o que diz. Não possui noção das conseqüências e sentidos possíveis do seu dizer.

Agora, o sábio não dizer o que sabe o caracteriza somente como um sabedor egoísta do que quer que seja. Mesquinhez do sábio e papo-furado dos tolos.

Mas pode, claro, haver também outros sentidos. O de que seria mais sábio, por exemplo, a demonstração do que é mais próprio ou correto por meio de ações do que por meio de palavras. A idéia de que ações valeriam mais do que palavras: uma pedagogia da ação, do exemplo. Ou o velho sentido de que o silêncio é ouro, enquanto a palavra é prata. Ou também, talvez, a sábia percepção de que nem todo mundo é merecedor da verdade. Com canalhas, com quem joga somente no campo da mentira, o silêncio costuma ser sinal de sensatez ou prudência.

Quem não deve não teme?

Essa usam demais pra jogar na cara. Quando o caso é de ciúme, então, nem se fala. Gente ciumenta e paranóica adora esse proverbiozinho chinfrim. Ficam espionando a vida do outro, vendo má intenção em tudo e logo disparam essa pérola.

contudo o temor de quem não deve nada ou muito pouco. O tipo obsessivo, porexemplo, não deve nada e teme tudo. Enquanto o psicopata deve tudo e não teme nada.

Sentir-se em dívida é coisa de gente honesta.

Saturday, June 06, 2009

“Homossexualidade é opção?”

Esta é uma pergunta muito comum, do senso comum (por isso a coloquei entre aspas), emrelação à homossexualidade. Em muitos casos, infelizmente, há pessoas que chegam a afirmarisso de modo categórico.

A homossexualidade é um fetiche da curiosidade de nossa sociedade que praticamente criminaliza esse tipo de orientação. E se a homossexualidade é fetichizada, a homossexualidade masculina o é ao quadrado. E ao verbo “fetichizar” atribuo o sentido de darum valor excessivo ao que quer que seja. Se fetichiza é porque ressalta demais, valoriza demais. É atenção, curiosidade e xeretice demais em relação ao tema.

As pessoas querem logo a resposta, querem logo saber a causacomo se tudo necessariamente pudesse ser explicado ou determinado por uma única causa. Se nasce assim ou se aprendeu; se é uma condição ou uma escolha.

Mas Freud logo adverte: se a homossexualidade é representada como um mistério, issotambém deveria caber à heterossexualidade. Para ele há de se perguntar pela gênese tanto de uma quanto de outra. Pois para a psicanálise todos nascemos, vamos assim dizer, “bissexuais”. A orientação originária é a bissexualidade. A monossexualidade, seja ela hetero ou homo, com o decorrer do desenvolvimento. Neste sentido, psicanalítico, nascemos bissexuais e aprendemos a ser hetero ou homo. se dá

E o termo aprendizagem, para o senso comum, também adquire alguns sentidos que não os adotados pela Psicologia. Basta dizer que é aprendido, para alguém logo pensarque deve haver alguém, alguma pessoa que ensina. Para não me estendermuito sobre isso, resumo: aprendemos o tempo todo, e o mundo (incluído o mundo das coisas) equivocadamente ensina.

Mas ouço muito, da boca de muitas pessoas, inclusive e infelizmente, penso eu, de algunsalunos: “homossexualidade é opção”. ouvi até mesmo gays dizendo isso. Penso da seguinteforma: é uma frase muito genérica e vaga para uma questão tão complexa. É tão vaga queadquirir diversos sentidos. pode

Uma vez vi na televisão um gay dizendo isso: “é uma opção, sabe”. Ele se sentia como umpaladino da liberdade ao dizer isso. Dizia com gosto, com orgulho que era uma escolha, uma opção.

também, e com muito mais freqüência, pessoas conservadoras e machistas que dizem isso. E o sentido subjacente costuma ser: “se escolheu isso, poderia ter escolhido o contrário; sofre preconceito porque quer; seja homem!”. Ou então: sendo opção, logo é safadeza, moda oufalta do que fazer.

E a grande questão é: então o homossexual escolhe isso, ser uma espécie de pária da sociedade? Alguém escolhe isso para sua vida: ser discriminado, diminuído, excluído, maltratado e humilhado? Sim, pois é exatamente assim que os homossexuais são tratados. Se a homossexualidade é uma opção, então completemos a frase: é opção e masoquismo. Poissomente alguém que tem prazer em sofrer é que poderia escolher esta opção.

E mesmos os masoquistas, fique bem claro, nunca o são de modo genérico. Não existe esta história de simplesmente gostar de sofrer. Ninguém é masoquista pra tudo. Pois o masoquismo, em termos comportamentais, muitas vezes nada mais é que efeito da associaçãoentre dois estímulos: um prazeroso e outro doloroso. Masoquistas costumam ter prazer comcoisas muito específicas, as quais são exatamente aquelas que foram associadas com alguma forma de prazer muito significativa vivenciada.

Se a orientação sexual é uma opção, logo as possibilidades são as mesmas para todo mundo. Logo, somos todos, como pretendia Freud, originariamente bissexuais. Eis o paradoxo do senso comum: enuncia uma regra que, por implicação lógica, estabelece a bissexualidade como universal, coisa que o próprio senso comum rejeita.

Se a orientação sexual é uma opção, logo existe escolha consciente. E pode se dizer que se trata de algo mais ou menos parecido com, por exemplo, o ato de votar: você vai e marcaum x. Portanto, chegam a ser ridículas as implicações lógicas que tal bobagem produz.

Porém, continuemos, até o absurdo. Sim, pois todo equívoco desemboca no absurdo.

Primeiro as definições:

1. Homossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do mesmo sexo.

2. Heterossexualidade é a predominância de atração sexual por pessoas do sexo oposto.

3. Bissexualidade é a atração sexual por pessoas de ambos os sexos, sem a predominânciasignificativa de qualquer orientação.

Se a orientação sexual é uma opção, logo as pessoas escolhem gostar disso ou daquilo, quererisso ou aquilo. E quem é que tem esse poder: escolher do que vai ou não gostar, querer?

Se a orientação sexual é opção, logoconflito entre alternativas. Senão não haveria opção alguma. Enfim, resumindo: mais uma peça para a coleção gigantesca de besteiras do senso comum.

Saturday, February 28, 2009

Aeroporto 2009

Por Antonio Elias

No sonho mais recente foram três aviõeszões... Dois de uma vez só.
No primeiro, o avião, no chão, eu tava dentro dele (coisa rara de acontecer).
Dava pra sentir o "tranco" da aceleração, a corrida e a decolagem...
Ato seguinte o avião descia e eu saia fora dele.
Partiu de novo, fez a curva por cima da pista (que era em forma de rampa e viaduto).
Perdeu a estabilidade, avançou pra fora da pista e explodiu...
Mais tarde, numa outra parte do aeroporto, uma pista diferente da primeira.
Eu na ponta dela, lá vem o avião.... se estabaca e pega fogo.
Logo em seguida vinha um Concorde (primeira vez dessa modalidade).
Ele tentou pousar, desviou dos destroços do outro avião e se espatifou em detalhes riquíssimos.
Acordei, escovei os dentes e fui serenamente pedalando pro trabalho... Tive um dia feliz.

Friday, October 10, 2008

Deserto

(Antologia do Prêmio Sesc de Poesias 2008)


Deserto,


o ar parado,


entre


meu olhar


e


o


teto.


Deserto,


o meu pensamento,


sem morte,


nem projeto.


Deserto,


o meu corpo largado,


sangrando aberto,


às traças do quarto.


Deserto,


o olhar do mendigo,


engolindo um grito,


dormindo e acordando comigo,


ruminando desertos.


Thursday, September 18, 2008

O pensamento positivo cronifica as obsessões

Obsessões são idéias fixas, geralmente desagradáveis, carregadas de ansiedade, das quais o sujeito não consegue se livrar. Muitos obsessivos se queixam que são escravizados por determinados pensamentos ruins, dos quais não conseguem se livrar. Geralmente recorrem a alguma compulsão, algum comportamento ritual repetitivo e aparentemente desprovido de utilidade objetiva para desfazer a obsessão.
É mais ou menos assim: o pensamento ruim (o pensamento “negativo”) surge e o obsessivo somente consegue se apaziguar e sentir-se menos ansioso com um ritual que o neutraliza. O jogador na hora do pênalti, por exemplo. Ele está morrendo de medo de errar. E o que faz para neutralizar esse medo ou as obsessões, os “pensamentos ruins”, de que irá errar? Ele pode, por exemplo, recorrer ao pensamento positivo: “vou acertar, vou acertar”. Atua como uma espécie de oração.
Neste contexto, de ansiedade extrema, já instalada, o chamado pensamento positivo, ajuda. Ele tem a função de neutralizar as obsessões, os pensamentos ruins, e acalmar o sujeito. E o que fica claro é o seguinte: se não houver medo, não há necessidade de pensamento positivo. Onde há medo, há pensamento positivo. E onde há pensamento positivo, há medo. Sem medo, ele perde o sentido.
Porém, quero focar em outro detalhe. As compulsões (e o pensamento positivo é uma delas) neutralizam as obsessões e acalmam o obsessivo. Porém, este efeito é paliativo. Os estudos nesta área são conclusivos: a neutralização reforça a obsessão. Resolve momentaneamente, mas acaba por fim cronificando a obsessão. A melhor alternativa é o enfrentamento, a exposição sistemática. Ou seja, é mais eficaz e efetivo acabar com o medo.
Para o exemplo do pênalti eu diria o seguinte. É mais efetivo o jogador se preparar para perder o medo de perder um pênalti. Aprender a perder, então, é fundamental. Obsessivos são, de modo geral, fóbicos ou perfeccionistas. Morrem de medo de algumas coisas: contaminação, medo de perder, de errar, de morrer, medo de ter medo e vários outros milhares de medos dos quais sua vida é constituída.
Atendi a dois casos em que os pacientes tinham um medo absurdo do diabo. A imagem do demônio em suas mentes ou a idéia de que teriam vendido a alma para ele, ou que ele lhes faria algum mal, era algo do qual não conseguiam se livrar. Este tipo de obsessão gerava muita ansiedade e acabava sendo incapacitante. Recorriam aos mais diversos rituais: orar indefinidamente, fazer repetidos e inúmeros sinais da cruz, não dizer certas palavras, ou dizê-las em pares (para que fossem ditas e “desditas”), não adentrar em determinados lugares, não pisar em determinados pontos do chão. Enfim, o arsenal de compulsões pode ser enorme e o sujeito acaba padecendo bastante com isso tudo.
Fiz o que então? Baseado em uma estória zen, a qual lera há alguns anos, eu lhes propus o seguinte: o enfrentamento. Com o consentimento desses pacientes, invoquei o diabo. Se ele de fato existia, deveria comparecer à sessão.
“Diabo, belzebu, capeta, demônio, lúcifer...” – utilizamos todos os seus nomes e designações possíveis, “eu, Ricardo de Souza Machado Bueno e Adilson da Silva Teles Moura” (era importante também fornecer os nomes completos, assim não teria erro), “estamos aqui, no planeta Terra, na América do Sul, no Brasil” - enfim, endereço completo, pro coisa-ruim não ter desculpa; “venha até nós, apareça e comprove sua existência!”.
Nesse momento o paciente geralmente fica muito ansioso e tenso, praticamente se agarrando ou se escondendo atrás de nós.
Antes de tudo, porém, deve-se encher o bolso de grãos de feijão, centenas deles, se possível. A idéia é a seguinte: se o diabo aparecer, perguntamos quantos grãos de feijão temos no bolso. Nas duas sessões em que adotei este procedimento, ele sequer apareceu. Na estória zen, porém, o espírito maligno costuma aparecer. Mas, ao se perguntar pela quantidade de grãos no bolso, subitamente desaparece, sem dar qualquer resposta, e nunca mais retorna. E foi exatamente isso o que ocorreu com meus pacientes. O enfrentamento dissipou a obsessão. O diabo nunca mais azucrinou suas vidas.
(Autor, personagens e história fictícios)

Desejar mais o que se tem e menos o que não se tem

Já disse aqui e sempre digo: desejar mais o que não se tem do que o que se tem é infelicidade. E aí sempre me perguntam: “Como vou desejar o que já tenho?”. Respondo: “Você é casado(a) ou namora?”. Quando me dizem que sim, emendo: “Então deixe a pessoa com quem você está, a qual você já tem, e vá procurar outra que você não tem”.
E quem disse que desejamos somente o que não temos? O desejo do que já temos é mais importante para nos mantermos vivos do que os sonhos. Sem sonho não se vive? Não vivemos é sem usufruir do que já temos. Não é a esperança (o desejo do que não depende de nós) que nos mantém vivos, mas sim a vontade (o desejo do que depende de nós).
A esperança deseja o provável ou o improvável: é uma aposta. A vontade deseja e realiza o que é imediatamente possível. Isso é viver, de fato. Desejar mais o que é provável do que o imediatamente possível é a própria infelicidade. Pois uma postura realiza e vive e a outra espera. Isto é também um ensinamento de simplicidade e humildade.
Quando digo isso, de forma alguma estou querendo dizer que devemos abrir mão de nossos sonhos. Devemos somente estar atentos para o tamanho deles em nossa vida. Se eles estiveram tomando o lugar de tudo, de nossa vida concreta, de nossos fundamentais e pequenos prazeres cotidianos, há problema. E projetos são sempre melhores do que sonhos, castelos no ar. Um passo a cada dia também.

Tuesday, August 12, 2008

A filosofia é útil?

Nem me estenderei muito. Somente citarei a resposta de Marilena Chauí para esta questão, em seu livro didático de introdução à Filosofia, o “Convite à Filosofia”. Ficou perfeita, nada a acrescentar:

“Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.”

Tuesday, August 05, 2008

O ser humano é essencialmente covarde

Uma série de experimentos demonstram que a agressividade dos primatas superiores (basicamente chimpanzé, bonobo, orangotango, gorila, gibão e o homem) é mais cortical do que hipotalâmica. Ou seja, é uma agressividade menos impulsiva e mais aprendida. Predomina o planejamento, o cálculo.

Uma pequena estimulação elétrica em uma área específica do hipotálamo produz agressividade extrema e atésuicidaem tudo o que é mamífero que não seja primata superior. Por outro lado, a estimulação elétrica do hipotálamo em primatas superiores produz também agressividade, que de um modo bem mais relativo. Macacos submetidos a este tipo de procedimento demonstram agressividade para com oponentes mais fracos ou de uma hierarquia inferior em sua organização social. E macacos de hierarquias inferiores, quando estimulados deste modo, se acovardam ou se submetem.

Moral da história: macaco grande não é bobo não. É covarde mesmo.

Thursday, July 31, 2008

"Tudo é relativo"?

De imediato, já podemos dizer o seguinte: essa frase não tem sentido. É um paradoxo. E paradoxos, para boa parte da lógica, são simplesmente enunciados sem qualquer sentido. Se tudo é relativo, logo este enunciado também o é, e assim nem tudo é relativo. Ao dizer isto, não estamos dizendo simplesmente nada. Há contradição: tudo e nem tudo é relativo. Resumindo: besteira.


Melhor dizer outra coisa: dizer, talvez, que é sempre importante analisar o contexto, ou tentar ser mais específico. Porque a relatividade existe sim, assim como o absoluto.


E alguns ainda arriscam: “não existem verdades absolutas”. Nada disso. Existem sim: são, por exemplo, as verdades por definição. “Todos os homens são mortais”. Esta é uma verdade absoluta. Alguém poderia objetar: “E se encontrássemos, em algum outro ponto do universo, um homem imortal?”. Resposta: já não seria homem, seria outra coisa. O homem, por definição, é mortal. Assim como o fato dos triângulos possuírem três lados: outra verdade absoluta, por definição. Se possuir um número diferente de lados, já não é um triângulo.


Outra pérola que li estes dias, em um marcador de página de uma grande e pomposa livraria brasileira: “Fatos não há, somente interpretações”. E pior, tal frase era atribuída a Nietzsche. Sim, ele pode muito bem ter proferido este enunciado. Mas assim, fora de contexto, como a livraria reproduziu?


Pura besteira. Se tudo fosse relativo ou se fatos não existissem, convenhamos, o mundo seria um caos total. Como fazer ou reivindicar justiça sem fatos ou qualquer quinhão de absoluto? 


Como debater o que quer que seja? O próprio debate os supõe. Isso tornaria impossível o conhecimento, além de dar razões à prática e justificativa do mal ou à extinção da moral, da ética. Desse modo, a versão do criminoso, do corrupto, teria o mesmo valor da versão de suas vítimas, apesar dos fatos estarem do lado das últimas.


Como dizem os anglófonos: “bullshit”...




Podcast com comentários:


Monday, June 09, 2008

Qual é o sentido da vida?

O sentido da vida é que ela acaba
Franz Kafka

Concebo, por enquanto, três respostas fundamentais:
1. O sentido da vida é a morte.
2. O sentido da vida é viver e se reproduzir.
3. O sentido da vida é uma construção eminentemente individual.
Por sentido pode-se entender direção específica, significação ou finalidade.
No primeiro caso podemos assim traduzir: qual é a direção para a qual a vida ruma, seu destino? Para onde vai esta vida? Neste caso a resposta mais concreta e simples é espantosa, porém, verdadeira (mesmo que em parte): o sentido da vida é a morte. Esta é a direção ou destino concreto de todo e qualquer ser vivo.
Contudo, o senso comum geralmente está perguntando por uma outra coisa. É mais ou menos a indagação de Paul Gauguin, a qual é o título de um de seus quadros, de 1897: "De onde viemos? O que somos? Para onde vamos?”. Ou seja: qual é a função, a finalidade da vida? Por que e para que estamos aqui?
Em termos biológicos, é a resposta de número dois, a qual dei acima: o sentido da vida é viver, autopreservar-se, manter-se vivo, e se reproduzir, gerar descendentes. Uma compreensão hedonista ainda acrescentaria: o sentido da vida é o prazer. Tudo o que fazemos é em busca de prazer e em fuga da dor, do sofrimento. Mesmo nossos maiores sacrifícios teriam como meta última, seja real ou fantasiada, uma situação mais confortável, a satisfação de algum desejo ou impulso.
Contudo, estes sentidos universais, impostos pela biologia, não costumam satisfazer o sanguinário anseio metafísico das massas. As pessoas, de um modo geral, estão perguntando se há uma missão, um plano programado para nossa estadia nesta parca e frágil existência. E não querem ouvir uma resposta que seja negativa. Dizer que nãosentido algum para a vida, neste caso, é ofensa mortal.
Em termos racionais não é possível dizer que existe uma finalidade predeterminada intencionalmente para a vida de todas as pessoas. As pessoas que acreditam nesta tese, porém, insistem: “Não é possível. Não estamos aqui por acaso. Deve existir uma razão, um motivo”. Encontrar o motivo seria encontrar a causa, e esta não é certamente uma . Nossa existência é um somatório de inúmeras e pequenas causas.
Com certeza, não estamos aqui por acaso: alguns fatores agiram como causa. Mas, e o acaso, não é justamente isso: um somatório de inúmeras e pequenas causas, ao ponto de não podermos determinar o que ocorrerá? Um lançamento de dados é o exemplo clássico: determinar com precisão que número sairá é impossível. Pois não há uma única causa. São inúmeras e incontroláveis. para citar algumas: a força com que se arremessa os dados, a aspereza da superfície de contato, a altura do arremesso, a posição do dado nas mãos, a posição em que cairá, etc. Se pudermos controlar não é acaso. A predeterminação, neste caso, é sempre uma probabilidade.
Mas o grande problema é saber aceitar esta impotência fundamental, coisa que a maioria das pessoas não é capaz: não podemos controlar, não podemos, nem nunca poderemos saber precisamente o que produz o que para que nossa vida tenha surgido tal como ela é. Ou seja, o acaso existe. E o grande drama é que ele não nega que tudo tem causa. Ele nega que podemos controlar as causas e produzir exatamente o que desejamos, ou descobrir uma finalidade transcendental e única para vida humana. Se não é possível saber precisamente porque estamos aqui, “de onde viemos”, pois não há uma única causa, também não podemos saber qual é a finalidade de nossa existência.
E é exatamente isso que deixa as massas desconfortáveis: não poder controlar, não poder explicar, não encontrar um sentido predeterminado, único e universal para a vida. Porém, após escrever esse texto, uma única coisa me vem à cabeça: a pergunta sobre o sentido da vida, ansiosa pela resposta de que haveria uma “missãopara cada um de nós, é a indagação de quem não quer ouvir outra resposta que não esta mesma, a da “missão”.
A terceira resposta, no início do texto, diz o seguinte: o sentido da vida é uma construção eminentemente individual. Cada um dá o sentido que lhe cabe. A concepção de qual é a finalidade da vida irá variar de pessoa para pessoa (ou de grupos para grupos de pessoas) segundo as circunstâncias, possibilidades, concepções, costumes e sonhos de cada um. Assim, o sentido não é universal, mas particular. Não é dado, e sim construído.
Em um próximo texto sobre esta questão falarei sobre o amor e como ele pode dar sentido à vida.