Thursday, September 03, 2009

O naturismo

Há alguns anos atrás tive algumas experiências com a prática do naturismo, as quais gostaria de relatar aqui, tecendo algumas reflexões a respeito.

Em 2002 conheci a Praia do Pinho, em Camboriú, Santa Catarina. Antes disso, eu havia somente caminhado por alguns quilômetros, praia adentro, sem roupa alguma, em Trancoso, no sul da Bahia, um ano antes. Depois da experiência em Trancoso, decidi que no ano seguinte eu iria à mais tradicional e antiga praia de naturismo do Brasil: a Praia do Pinho.

A preparação para este tipo de passeio e, desafio, costuma ser cercada de mitos, fantasias, ansiedade e curiosidade. Muita coisa geralmente ocorre nos arredores de nosso corpo quando ele está nu na presença de outras pessoas. Principalmente se forem várias outras pessoas. A nudez pública é um tabu. Nossos genitais são áreas sagradas, muito bem delimitadas e separadas do resto de nosso corpo quando o assunto é privacidade. Áreas totalmente privadas, completamente fechadas ao público. Impublicáveis, por definição. O que, por sua vez, não impede a prática de torná-las públicas. Sim, existe a publicidade da nudez. Esta, contudo, está restrita a espaços também muito bem delimitados.

Resumindo: genitais não desfilam por aí, sua aparição não está banalizada. Um genital aparecendo é sempre motivo de constrangimento e sinal de que algo muito sagrado socialmente foi violado. E o sujeito exposto é aquele que fica também exposto socialmente: exposto a hostilidades e sanções. Ficar nu é ficar desprotegido. E isso, em público, somente a urgência extrema ou o amor é que podem contornar.

Primeira coisa a fazer era planejar a viagem. Avaliar todas as possibilidades. Saber se de fato teríamos coragem de expor nossos frágeis corpos ao olhar público. Comecei então a freqüentar na internet os sites referentes à prática do naturismo. Uma das coisas que mais me tranqüilizavam era ler o código de ética da Federação Brasileira de Naturismo. Não me darei ao trabalho de recortar o que minha memória pensa que leu por lá. Prefiro ficar com o auto-engano, se for o caso. Mas posso dizer que o tom todo do que eu lia nesse código me trazia muita segurança. Percebi que o esforço todo dos naturistas é o da promoção da aceitação de nossos corpos, com todas as suas possíveis “imperfeições” (entre aspas justamente pelo caráter valorativo do termo).

Boa parte do empenho dos naturistas é o de, justamente, naturalizar a nudez em público. Torná-la o mais espontânea e natural possível. E isso tudo feito também com a proposta de um código moral até bastante severo para com possíveis manifestações de hostilidade (velada ou não) e não-aceitação dos corpos nus dos outros. Há uma promoção constante de comportamentos que visem o não reparar nos corpos dos outros e não comentar pretensos “defeitos”. É uma escola constante de auto e hetero aceitação daquilo que é fonte de muitos bloqueios e traumas, de muito sentimento de inferioridade, os quais acabam apartando muitas pessoas de importantes convívios sociais e afetivos. E estes últimos, sabemos, costumam constituir boa parte de nosso bem-estar psicológico, de nossa saúde.

Conforme fui lendo a respeito do que era o naturismo, mais adquiria confiança para poder cometer a “loucura” de ser exposto, de se deixar mostrar, em toda a vulnerabilidade. Mas é, mesmo assim, sempre interessante relatar as sensações das primeiras experiências. Não sei se esta recomendação ainda permanece, mas àquela época o incentivo era o do naturismo em família tradicional. Ou seja: casais, com ou sem filhos. Homens desacompanhados não eram permitidos. Fui com minha companheira da época. Ficaríamos cinco dias em uma pousada, dentro da praia. Cinco dias sem ver roupa.

Chegamos à recepção, pegamos as chaves e, ainda vestidos, subimos para o quarto. No caminho, claro, cruzamos com algumas pessoas nuas. Entramos no quarto e guardamos nossas malas. O próximo passo era um pouco mais difícil. Queríamos respeitar as regras do local e pensamos: agora não podemos mais descer vestidos. Era isso o que parecia, pois no caminho havíamos cruzado somente com pessoas nuas. Não queríamos desrespeitá-las. Então nos despimos totalmente, respiramos fundo, abrimos a porta e descemos.

Nunca saltei de paraquedas, mas a sensação era a de bastante falta de algo, de onde se segurar, de referências, de anteparos que nos separássemos do mundo. A primeira sensação foi a de “queda livre”. “Orbitei” – sim, pois toda queda livre é, de certo modo, uma forma de entrar em órbita. O restaurante estava a uns 70 metros. Fomos caminhando, devagar, sentindo o vento e a presença das pessoas em nossas entranhas. O mundo me invadia pela pele, totalmente exposta. Menos separação entre eu e mundo. Menos barreiras de contato, logo maior o risco e inevitável a emoção do momento. Nesta pequena caminhada, cruzando com várias outras pessoas nuas, desfrutei, senti prazer. Era uma pequena aventura da qual me sentia capaz sem entrar em desespero. Mas eu me sentia também muito branco, sem cor impressa na pele, apesar de não ser o caso. Era um neófito do naturismo, saindo de sua casca do ovo. Um filhote totalmente frágil desta prática.

A chegada ao restaurante, contudo, foi meio frustrante e constrangedora. Um garçon alto, com cara de canastrão, e totalmente vestido, veio nos atender. Não sabíamos onde enfiar nossos branquelos órgãos genitais. Sentamos, e assim pudemos nos proteger melhor. Logo veio nossa refeição. Comemos, bebemos e observamos o que podíamos em volta: as pessoas no bar (a maioria totalmente nua) e a praia, pela janela, já em final de tarde. O clima era agradável, a sensação era de paz. A praia estava muito bonita com o sol já pedindo para se por ali por volta das cinco horas da tarde.

Descemos à praia e ali tudo já correu muito naturalmente. Estávamos totalmente nus, abraçados pela beleza do mar, do vento e da tranqüilidade das outras pessoas que também estavam nuas. Minha sensação era a de que eu havia chegado ao cume de uma montanha mágica. Aquilo era outro mundo, habitado por outros seres. A escalada havia valido a pena. Muita paz reinava em torno da minha nudez. Todos nus na companhia uns dos outros, e sem medo de ser hostilizado ou diminuído, faz parecer mesmo que estamos em outro mundo. É uma espécie de estado alterado de consciência, já que o mundo parece ter sido virado de cabeça pra baixo ou posto pelo avesso. A nudez é o avesso da indumentária.

Os corpos, em sua maioria, eram repletos de normalidade, ou seja, de “imperfeições”, de desenhos, texturas, cores, volumes e proporções, os quais não cumpriam os ideais de beleza propagados pelos meios de comunicação de massa e a moda. A minha sensação era a de que tantos corpos e genitálias nus produziam um mar vivo de peles aos olhos. Tudo muito mais vivo, vulnerável, animal. O corpo humano nu: retrato da fragilidade. A história de nossa espécie está inevitavelmente ligada às roupas. Elas surgem junto com a humanidade. Não possuem somente a função de resguardo moral. Também protegem fisicamente. Os órgãos sexuais humanos são muito expostos e frágeis. Roupas funcionam como proteção.

E se as roupas surgem juntamente com a humanidade, penso que o mais natural não é ficar nu. Pelo contrário, o mais natural é ficar vestido. Não há nada mais artificial do que ficar pelado, do que reunir pessoas para ficarem juntas e nuas. Porém, o que é ou não natural, é o que menos importa diante dos benefícios pessoais que tive ao fazer naturismo. Gostei e muito. E o que mais gostei foi de como me senti tranqüilo com meu corpo, com a minha nudez e das outros. Dividir fragilidades e imperfeições, aceitá-las, em si e nos outros, é uma experiência terapêutica, de libertação, de cultivo de auto-estima. Há muito respeito em campos naturistas, por si e pelos outros. A nudez humana é fragilizante. Isso naturalmente impõe o respeito.

Os corpos são diferentes, mas a minha impressão é de que, nus, esta diferença fica menos ressaltada. Veja por exemplo o caso dos biquinis. Seu corte, de modo geral, ressalta os glúteos. A totalidade corporal se perde no assombro dessa faixa pequena, dessa parte, sobre a qual impera uma guerra sem fim. Segundo as leis da Psicologia da Gestalt, podemos dizer que a visão de corpos nus impõe uma outra percepção, a de uma totalidade do seguimento da pele, a qual ultrapassa a moldura de biquinis, maiôs e calções de banho. Estes últimos impõem uma óptica do detalhe filtrado culturalmente. O nudismo, por sua vez, impõe a óptica da totalidade e da expressão surpreendente e animalesca das genitálias. Sim, sua exposição bota por terra os padrões que antes eram tão cultuados. Um glúteo perfeito pode deixar de ter expressão ou sentido diante da exposição abrupta de uma vulva ou mamilos e seios inesperados.

E os naturistas, obviamente, também têm seus tabus. A maioria jamais reconhecerá que a excitação sexual existe e desempenha papel relevante em sua prática. Lembro de algumas conversas que tive com alguns deles. Muitos diziam que praticavam o naturismo em função da sensação de liberdade (geralmente liberdade física) de estar mais leve sem roupas, pois elas não seriam naturais, já que “ninguém nasceu vestido”e, portanto, não seriam saudáveis. Alguns chegavam inclusive a argumentar, por exemplo, que roupas prendiam a circulação sanguínea.

Eu não deixava de perguntar: “O fato de estar sem roupa em meio a tantas pessoas sem roupa não lhe desperta qualquer tipo de excitação sexual? Ver pessoas sem roupa, e muitas, possuidoras de atrativos sexuais, também não é prazeroso?”. A maioria das respostas era negativa. Gostavam de ressaltar que este componente praticamente inexistia. Salientavam a liberdade e o prazer de sentir a água do mar, o sol e o vento no corpo todo. Não tenho dúvidas, isso também pode ser muito prazeroso. Mas aí me surgia uma outra pergunta: “Então por que não fazer isso somente em meio a pessoas íntimas ou em uma praia deserta, por exemplo? Se você fosse cego, viria aqui expor-se nu em meio a estranhos? Não há prazer em ver e mostrar os genitais publicamente? E este prazer, o qual vocês relatam, não possui qualquer componente sexual?”. Alguns sofisticavam sua argumentação, outros nem disso eram capazes. Os primeiros iam além: “Há uma sensação muito grande de liberdade, de natureza, e por que não dividir isso com outras pessoas, mesmo desconhecidas, que se sentem da mesma forma?”.

E aí reside uma concepção muito comum ao senso comum: a de que a natureza é sempre boa, suave e saudável. Havia algumas pessoas que portavam uma pulseira, promocional da praia, na qual era bem legível: 100% natural. Mas se fosse tudo natural, não haveria problema algum com ereções explícitas, masturbações, ou seja, qualquer ato sexual ostensivo e público, além das atividades fisiológicas que devem ser feitas junto ao vaso sanitário. O ideal romântico de recuperar nosso estado de natureza perdido, se levado à sério, implica em significativas dificuldades sociais. Mas isso é como o senso comum se expressa: de modo geralmente confuso e equivocado. Assim acaba se falando muita coisa contraditória e, no final das contas, sem sentido; ou somente com o sentido que serve a determinados interesses, os quais menos prezam pela verdade do que pela preservação de seus domínios de ação e poder.

Mas quero encerrar este artigo, ressaltando o que percebi de saudável na prática naturista. Uma prática em que, dentro dos limites os quais pude vivenciar, as pessoas são amiúde levadas a exercitar o respeito, a delicadeza, a tolerância com diferenças corporais, podendo aceitar e acolher uma dimensão tão repleta de traumas: a da nossa imagem corporal. Esta que, muitas vezes, gera diversas representações importantes para nossa própria auto-imagem. Finalizo, deixando bem claro que o naturismo foi uma experiência da qual não me esqueço e que me fez muito bem. Recomendo a todos que tenham curiosidade ou desejo de praticá-lo.

24 comments:

Olavo Carvalho said...

Bacana, Adriano, realmente essa prática é muito curiosa. Me fez pensar que tudo aquilo que não é permitido, que não é feito comumente, ou seja, que tudo aquilo que não somos, nos causa certo fascínio e muitas vezes nos atrai. E essas partes 'sombreadas' de nossas relações com o mundo estão sempre recheadas de experiência interessantes que nos fazem conhecer mais daquilo que somos feito.

ADRIANO FACIOLI said...

eh, olavo, estar a margem sempre nos induz a uma experiencia estetica...

Anonymous said...

Sinceramente... eu não poderia andar num lugar desses por que eu chamaria a atenção, e não é porque tenho um fisico excepcional.

Frank

Rogério Shareid said...

Otimo artigo Adriano!
Abraço,
Shareid

Anonymous said...

Vc disse: "Ficar nu é ficar desprotegido". Engraçado... Ficando nua, ao seu lado, é um dos momentos em que me sinto mais protegida...

Mário said...

Salve...Amigo Adriano, eu não acho que conseguiria ficar nu, com minha esposa, ao lado de outras pessoas, eu ficaria exitado e daria o maior vexame. Sempre tive, imaginação fértil, fico pensando eu minha esposa numa praia paradisíaca, os dois nus...de imediato vem a mente aquele filme "Lagoa Azul". Aí você já viu né!! Acho que se a pessoa consegue encarar essa situação com naturalidade, das duas uma: findou-se pra sempre o desejo e a atração sexual, ou a pessoa possui um extremo controle emocional. Sinceramente prefiro acreditar que a maioria dos frequentadores desses lugares, são pessoas admiráveis, que estão acima do bem e do mal.

ADRIANO FACIOLI said...

mario, entao pode me incluir na categoria dos que nao estao acima do bem e do mal... e quem estaria?

Anonymous said...

Faz sentido o que voce diz Mario

Frank

ADRIANO FACIOLI said...

frank, basta deitar de bruços, correr pra agua, virar de costas, sair correndo, cruzar as pernas... rs...

Bernardo said...

Grande Adriano, quanto tempo...
Muito legal o relato sua experiência naturista e das suas reflexões.
É muito curioso saber as sensações que o ato de ficar nú representa para diversas pessoas.
As roupas fazem parte da nossa cultura... e elas nos envolvem e dão o tom do que somos - muito além de esconder gordurinhas, genitais e áreas restritas, também diz quem somos, adaptam-se perfeitamente a nossa personalidade e também, curiosamente, imprime em nossos corpos a sensualidade.
Sempre penso que se você vivesse num lugar onde as roupas não fossem necessárias, toda a excitação com o nú perderia o sentido. O nú seria o natural.
Já tive algumas experiências naturistas. Inclusive já tive amigos e amigas que só conheci sem roupas. Nem consigo imaginar como seria ver estas pessoas com roupas. Será que vestidas ficariam mais ou menos sensuais... estas pessoas que sem roupa me pareciam tão naturais ( no contexto do ambiente naturista).
E tem este lado do desafio, parece surrealista... nós que estamos sempre acostumado às roupas, temos coragem de tira-las e abrir a porta do quarto despidos.
E aceitar que somos assim, completos e perfeitos, que nada precisamos esconder.
Parabéns pela coragem.
Espero que todos possam passar por experiências assim.
Abração.
"Se fosse a vontade de Deus que vivêssemos nús, teriamos nascido assim".(Mark Twain)

ADRIANO FACIOLI said...

legal, bernardo... bom ter o comentario de um naturista, psi, tambem...
grande abraço

André L. & Rodolfo B. said...
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André L. & Rodolfo B. said...

"Natural". Uma experiência extremamente interessante. Pode ser que seja terapêutica para algumas pessoas. A humanidade é permeada de sentidos, sendo que alguns foram constituidos para dar limites as ações humanas. Se sentir livre quando se está nú nos leva a instigantes reflexões. Os "naturistas" limitam a conduta, uma vez, que não se pode ter ereções em público. Os pelos das partes íntimas estavam cobertas de pelo? eram "naturais"? esse pergunta pode parecer ingênua, mas poderia modificar a pecepção, como foi bem citado nos estudos da psicologia da Gestalt. Várias gestalts podem se formar, levando-se em consideração ainda que o todo é diferente da soma das partes. Quando participei de uma prática dessa, me senti aprisionado, pois ao ver mulheres lindas, temia em ficar excitado.

sagazz said...

Analizando bem, um ponto de vista diferente que eu tinha sobre isso, mais ainda prefiro acreditar como sendo algo onde buscamos mais aproximação, tipo um grupo de encontro, viver em harmonia com as pessoas, isso sempre. mais lendo seu texto elaborei um texto sobre o individualismo, que sempre vai está presente em cada ser humano, isso é o que eu acho.

Uma senhora de idade acidentou-se em seu apartamento. Ela tinha idade avançada e escorregou da janela do 3° ou 4° andar... nao me lembro bem.

Lá ela ficou por 3 dias e pereceu. Ninguem, absolutamente ninguem a socorreu, procurou saber porque estava sumida ou se estava bem em sua casa. Isso é fruto do agravo do individualismo.

Nós sacrificamos o bem coletivo. A importancia de amparar o homem que nos importuna por um pedaço de pão ou uma nota de 1 real, foi esquecida. Aqueles que nao tem condiçao de cuidar de si mesmos ou tem seu sustento retirado pela competitividade do nosso sistema ficaram de lado.
Esquecemo-nos da Moral, dos bons costumes e dos princípios. Alias, quando se fala em Moral, nao se pode mescla-la ao Direito ou a qualquer outra ciencia sob pena de ser fortemente criticado ou desacreditado. O deboche nem é preciso ser citado. Esse verme virulento que habita o intelecto de homens de papa cerebral inferiorizada por inexistencia de valores sociais. Estamos num tempo estranho... é facil se confundir e ser confundido.

Ser diferente é a essencia do mundo hodierno. Ser único... ser voce mesmo... e nao deixar que ninguem te mude (lol). Como se suas vaidades e caprichos fossem um modo de inserçao na coletividade.

Quem sou eu? Sou o Tirano da individualidade...

Joaquim Salles said...

Caro Adriano,
Coloquei seu artigo em lista de discussão naturistas. Um dos membros comento ( Um indio-descendente):

"Meus avós andavam nús pela terra junto com outras pessoas de sua comunidade. E pelo que sei, não viviam tendo ereções, nem se masturbavam em público, nem se entregavam a surubas por causa da sua nudez. Eles eram índios da Amazônia.

Isso que você argumenta também se aplica à eles ou só aos civilizados? "

Gostaria de seus comentários.

ADRIANO FACIOLI said...

Resposta à questão de Joaquim Salles.

Texto acima, com questão de Joaquim, citando um terceiro: "Meus avós andavam nús pela terra junto com outras pessoas de sua comunidade. E pelo que sei, não viviam tendo ereções, nem se masturbavam em público, nem se entregavam a surubas por causa da sua nudez. Eles eram índios da Amazônia. Isso que você argumenta também se aplica à eles ou só aos civilizados? "

Respondo:
Isso se aplica a todos nós, pois onde há cultura humana, há regras, normas. Logo, não existe a possibilidade do naturismo estimular o caos social. Pelo contrário. Os naturistas possuem um rígido e sólido código de ética. Voltar ao mítico estado de natureza, por outro lado, nem mesmos sociedades indígenas, primitivas, são capazes. Sendo humanos, somos seres da cultura. Logo, regrados, compromissados uns com os outros: humanos.
Um grande abraço...
Espero estar contribuindo positivamente para as reflexões naturistas...

Carlos Sena said...

Adriano, meus avós andavam nús pela terra junto com outras pessoas de sua comunidade. E pelo que sei, não viviam tendo ereções, nem se masturbavam em público, nem se entregavam a surubas por causa da sua nudez. Eles eram índios da Amazônia.

Isso que você argumenta também se aplica à eles ou só aos civilizados?

Carlos Sena
Um indio-descendente naturista, em busca da nudez perdida

ADRIANO FACIOLI said...

Carlos, minha resposta já foi dada a você um comentário antes de seu comentário.
Um abraço

Carlos Sena said...

Desculpe ter me repetido, Adriano, pois ainda não havia lido a sua resposta. De qualquer forma ela reacendeu as minhas esperanças . Estou tentando resgatar a nudez social de minha família e o naturismo me pareceu a alternativa mais viável. Mas tá difícil. Os civilizados chegaram primeiro...

Aqui na tribo o horror a nudez ficou tão grande que a turma não tira a roupa nem na hora de transar. Fica tudo de camisinha...

Carlos Sena
Indio-descendente e naturista

Joaquim Salles said...

Caro Adriano,

Obrigado pela gentileza da resposta. Veja em http://peladista.blogspot.com/2009/10/reflexoes-sobre-texto-o-naturismo-de.html um post que fiz sobre essa nossa troca de idéias.

Anonymous said...

cara, acho muito estranho essa coisa de ficar peladão com outras pessoas. isso naum eh natural. tem q usar roupa! eh tosco. qual a graca?

Anonymous said...

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Jorge Barbieri said...
This comment has been removed by the author.
Jorge Barbieri said...

Muito bom este texto, gostei, mas gostaria de responder a seguinte pergunta “Então por que não fazer isso somente em meio a pessoas íntimas ou em uma praia deserta, por exemplo?” Esta pergunta pode ser interpretada como o porquê da nudez social? Por que ficar nu junto com outras pessoas e não sozinho, ou com quem se tem intimidade? Então respondo com outra pergunta, se a nudez é natural por que tem ser escondida?
Bem, por que na prática não é natural! Não estamos acostumados a ficar nus na frente de outras pessoas. Ver pessoas nuas é um fato extraordinário e não ordinário! Não dá para se tornar normal de uma hora para outra como que por decreto. Mas para se acostumar com uma situação, é necessário vivenciar tal situação. Então precisamos nos acostumar a ficar nu(a) na frente de outras pessoas, sem sentir constrangimento e nem vergonha. E da mesma forma, é necessário nos acostumarmos a ver pessoas nuas com naturalidade. Ou seja, a nudez precisa se tornar um fato relativamente corriqueiro, ordinário, para que haja o costume, aí então a nudez se tornará natural. Mas para isso precisamos nos acostumar com ela, então é necessário praticar a nudez social. Se as pessoas ficarem nuas somente sozinhas ou com quem se tem intimidade, nunca se acostumarão a serem vistas e verem outras pessoas nuas.
Dia chegará que a nudez será tão natural, que ao se conversar com uma pessoa não se dará conta da roupa que ela estava usando, ou mesmo se estava vestida! Em um dia de muito calor, será normal ver pessoas nuas andando nas ruas das grandes metrópoles. É isso o que eu acredito, é isso o que eu espero. Pode demorar um pouco, mas acontecerá! Até lá, precisamos ir praticando onde é possível e com quem tem abertura para isso.
É isso o que eu queria dizer, está dado o recado. Abraço a todos.