Saturday, February 27, 2016

A racionalidade e a guerra

A racionalidade, ou a verdade, terão muito pouco efeito em quem já abraçou uma causa com unhas e dentes, separando tudo em pessoas imaculadas e demônios. Entregar-se à verdade, nesse caso, é uma espécie de suicídio para o qual se precisa de uma certa força de caráter e apoio social, e isso é coisa um pouco rara, pois a maioria das pessoas prefere se cercar de seus semelhantes.

Quem entrou em uma guerra pretende destruir seu inimigo. Nesse contexto a verdade não vale nada. E é por isso que às vezes a verdade dói, dói muito. Aceitar e ficar do lado da verdade pode implicar em solidão ou muito desconforto com quem nos ama, com quem nos sustenta, com quem (e o que) vem dando sentido à nossa vida durante muitos anos.

O exercício da racionalidade exige fidelidade à verdade, não a pessoas. A fidelidade à verdade é muitas vezes sentida, e ressentida, como traição, como traição ao amor que muitas pessoas nos devotaram por anos e anos a fio.

O exercício da racionalidade muitas vezes entra em conflito com toda uma vida de trabalho e dedicação a algumas causas e pessoas. A verdade tem um poder enorme para destruir amizades, amores e lares. Ela não combina nem um pouquinho com o figurino de militantes e políticos. Quem está disposto a dar a vida por uma causa geralmente não tem condições de ser fiel à verdade.

1 comment:

Fábio Carvalho said...

(2060.7) 194:2.2 A primeira missão desse espírito é, está claro, fomentar e personalizar a verdade, pois é a compreensão da verdade que constitui a mais elevada forma de liberdade humana. Em seguida, o propósito desse espírito é destruir o sentimento de orfandade do crente. Tendo Jesus estado entre os homens, todos os crentes iriam experienciar uma sensação de solidão, não houvesse o Espírito da Verdade vindo para residir nos corações dos homens.